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Para o RH  7 min de leitura

Fim da escala 6×1: o que muda para as empresas e como o RH deve se preparar

A jornada vai cair de 44 para 40 horas semanais, com dois dias de folga. Quem se organizar agora vai sair na frente.

Thiago Lourenço

Thiago Lourenço

Outubro de 2026

Carteira de trabalho sobre a mesa ao lado de agenda e café — fim da escala 6x1

Durante anos, a escala 6×1 foi tratada como algo natural em boa parte do comércio, dos serviços e da indústria. Seis dias de trabalho, um de folga, e a vida segue. Só que ela nunca foi tão simples quanto parecia na planilha. Quem trabalha com gente sabe: o cansaço acumulado aparece em algum lugar, seja no atestado da segunda-feira, seja no pedido de demissão de um bom profissional que encontrou uma proposta com mais folga.

Agora a discussão saiu do campo das opiniões. Em outubro de 2026, o Senado aprovou a PEC que acaba com a escala 6×1, depois de a proposta ter passado pela Câmara com ampla maioria. Por se tratar de emenda constitucional, ela não depende de sanção presidencial: é promulgada pelo próprio Congresso. A emenda foi promulgada em 16 de outubro de 2026, e é a partir dessa data que os prazos de transição começam a contar.

O que diz o texto aprovado

Os pontos centrais são três. A jornada normal passa a ter limite de 8 horas por dia e 40 horas por semana, contra as 44 horas permitidas hoje. O trabalhador passa a ter direito a dois dias de descanso remunerado por semana, preferencialmente um deles no domingo, e eles não precisam ser seguidos. E nada disso pode vir acompanhado de redução de salário.

A mudança não acontece de uma vez. Pelo texto aprovado, a primeira etapa começa 60 dias após a promulgação, com o limite caindo para 42 horas semanais. Cerca de um ano depois, chega-se às 40 horas. Nesse intervalo, acordos e convenções coletivas podem reorganizar a jornada diária, desde que os dois dias de folga sejam respeitados. Escalas especiais, como a 12×36, continuam permitidas, e micro e pequenas empresas ainda terão regras detalhadas em lei complementar.

Os impactos reais para quem emprega

Custo e quadro de pessoal. Menos horas por pessoa significa, em muitas operações, mais pessoas para cobrir o mesmo horário de funcionamento. Lojas, restaurantes e prestadores de serviço que abrem seis ou sete dias por semana vão sentir primeiro. É o momento de rever escalas, horários de pico e a real necessidade de cada turno.

Produtividade. A preocupação é legítima, mas a experiência mostra que hora trabalhada não é sinônimo de resultado. Equipes descansadas erram menos, se acidentam menos e faltam menos. Empresas que já adotaram o 5×2 costumam relatar queda no absenteísmo e mais estabilidade no time.

Atração e retenção. A folga a mais deixa de ser diferencial, porque vira regra para todos. O que vai separar uma empresa da outra passa a ser o pacote: ambiente, liderança e benefícios que o colaborador de fato usa.

Gestão de jornada. Controle de ponto, banco de horas e regras de domingo e feriado precisam ser revistos com cuidado. Trabalho nesses dias sem folga compensatória continua gerando pagamento em dobro, e o passivo trabalhista de uma escala mal ajustada pode sair caro.

Como o RH pode se preparar desde já

Primeiro, faça o mapa: quem está hoje em 6×1, em quais setores e com quais horários. Depois, simule as novas escalas com 42 e com 40 horas e calcule a necessidade de contratação ou de remanejamento. Converse cedo com o sindicato da categoria, porque a transição abre espaço para acordos coletivos. E, principalmente, comunique a equipe com clareza. Mudança de escala mexe com a rotina das famílias, e incerteza gera boato.

Também vale olhar para o que acontece com o colaborador fora do trabalho. Com mais tempo livre, ele passa a ter espaço para cuidar da própria saúde: fazer aquela consulta adiada, os exames de rotina, ir ao dentista. Se a empresa facilitar esse acesso, o ganho volta em forma de gente mais saudável e presente.

Uma oportunidade, não só uma obrigação

Toda mudança grande na legislação trabalhista gera resistência no começo. Mas as empresas que encaram o fim da 6×1 como chance de reorganizar processos e cuidar melhor das pessoas tendem a sair mais fortes, com equipes mais estáveis e menos rotatividade. A pergunta deixa de ser se a mudança vem e passa a ser como a sua empresa vai chegar até ela.

Este conteúdo é informativo e reflete o texto aprovado pelo Congresso em outubro de 2026. Para decisões sobre contratos e escalas, consulte o seu contador ou advogado trabalhista.

Leia também: O custo invisível da rotatividade · Convenção coletiva das padarias de BH 2026

Fontes oficiais

Quem oferece mais que o salário recebe mais que um funcionário

Equipe saudável falta menos e rende mais. Quando a empresa cuida da saúde do time, o colaborador percebe e devolve com presença, compromisso e permanência.

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Thiago Lourenço

Sobre o autor

Thiago Lourenço

Thiago Lourenço é Diretor de Parcerias Estratégicas da A1 Life Soluções. Ajuda empresas a oferecer benefícios acessíveis para seus colaboradores.

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