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Para o RH  6 min de leitura

O custo invisível da rotatividade: quanto a sua empresa perde cada vez que alguém pede as contas

Rescisão é só a parte visível. Veja o que mais entra na conta e como reduzir a rotatividade sem explodir a folha.

Thiago Lourenço

Thiago Lourenço

Outubro de 2026

Avental e touca de padeiro pendurados no gancho de uma padaria, com o forno e os pães ao fundo

Quando um funcionário sai, o custo que aparece é o da rescisão. Mas essa é só a parte visível. O resto se espalha por semanas em horas extras, retrabalho, clientes mal atendidos e tempo do gestor. Como não aparece em uma linha só da planilha, quase ninguém soma.

O que entra na conta

1. Desligamento. Numa demissão sem justa causa, a CLT e a lei do FGTS garantem ao trabalhador:

  • aviso prévio;
  • multa de 40% sobre o FGTS;
  • férias proporcionais com 1/3;
  • 13º proporcional.

Mesmo quando é o funcionário que pede para sair, parte desses valores continua sendo paga.

2. Vaga aberta. Enquanto ninguém ocupa o posto, alguém cobre: hora extra, colega sobrecarregado ou atendimento pior.

3. Contratação. Anúncio, triagem, entrevistas e exames admissionais, além do tempo de quem conduz tudo isso.

4. Treinamento. Nas primeiras semanas, o novo funcionário produz menos, e um colega experiente deixa de produzir para ensinar.

5. Efeito dominó. Cada saída pesa no clima. Quem fica cobre a falta, se cansa, e o risco de a próxima saída acontecer aumenta.

Uma simulação simples

Valores ilustrativos, para uma vaga operacional com salário de R$ 2.000:

ItemEstimativa
Verbas de desligamento (sem justa causa, 1 ano de casa)R$ 3.500 a R$ 5.000
Hora extra e cobertura da vaga (3 a 4 semanas)R$ 800 a R$ 1.500
Recrutamento e exames admissionaisR$ 300 a R$ 800
Treinamento e produtividade menor (1 a 2 meses)R$ 1.000 a R$ 2.000
Total por saídaR$ 5.600 a R$ 9.300

Numa empresa com 20 funcionários que troca 6 pessoas por ano, isso passa de R$ 30 mil a R$ 55 mil por ano, sem contar o desgaste do time.

A simulação é uma estimativa. Os valores reais dependem do salário, do tempo de casa e do tipo de desligamento. Confirme com o seu contador.

Por que as pessoas saem de vagas operacionais

Salário pesa, mas raramente é o único motivo. As causas mais comuns são:

  • escala pesada e cansaço acumulado;
  • sensação de não ser valorizado;
  • falta de acesso a cuidados básicos, como consulta, dentista e remédio;
  • uma proposta de outra empresa que oferece “um pouco mais”.

Repare que esse “pouco mais” quase nunca é só dinheiro.

Como reduzir a rotatividade sem explodir a folha

  1. Medir antes de agir. Quantas pessoas saíram nos últimos 12 meses, por qual motivo e com quanto tempo de casa.
  2. Fazer entrevista de desligamento. Uma conversa de 10 minutos revela padrões que nenhuma planilha mostra.
  3. Cuidar dos primeiros 90 dias. É quando acontece a maior parte das saídas. Um bom acolhimento faz diferença.
  4. Oferecer benefício que o funcionário usa de verdade. Saúde acessível está no topo da lista.

Leia também: Convenção coletiva das padarias de BH 2026 · Fim da escala 6×1: impactos para as empresas · Cartão de benefícios ou plano de saúde?

Fontes oficiais

Quem oferece mais que o salário recebe mais que um funcionário

Equipe saudável falta menos e rende mais. Quando a empresa cuida da saúde do time, o colaborador percebe e devolve com presença, compromisso e permanência.

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Thiago Lourenço

Sobre o autor

Thiago Lourenço

Thiago Lourenço é Diretor de Parcerias Estratégicas da A1 Life Soluções. Ajuda empresas a oferecer benefícios acessíveis para seus colaboradores.

LinkedIn · Instagram @euthiagolourenco